domingo, 29 de novembro de 2009

Natal V- Desabafos

Ontém pedi ao meu pai para passar o Natal ainda cá em casa. Ele acedeu ao meu pedido, embora saiba que só o faz por mim e não por vontade dele. Agradeci. Chorei no ombro dele como nunca tinha chorado. Voltei a sentir-me tão pequenina, voltei a ter aquela idade em que dançavamos os dois aos Sábados demanhã, em que eu punha os pés sobre os pés dele e ficavamos ali a rodopiar. Só faltou sentir a mesma alegria, aquela alegria que sei que jamais sentirei por completo. Falou-me de alguns projectos para o futuro próximo, senti-me estranha, no fundo senti-o bem mais preparado que eu para a solidão. E bem ainda mais lá no fundo senti-me bem por ele ter projectos, ter vontade de seguir em frente.
Força pai, eu nunca, mas mesmo nunca deixei nem deixarei de ter o maior orgulho em ti, tens-me provado cada dia que és um grande homem.

Depois do stress do momento aliviei um bocado a pressão que andei a sentir nos últimos dias. Mesmo que seja um Natal que já não é em familia é como que uma despedida para mim, uma situação que jamais vou viver. Para ano hei-de estar mais bem preparada, quem sabe em condições de já ter o meu espaço e ser eu a anfitriã e poder convida-los e voltar a tê-los juntos outra vez mesmo que só por uma noite.

Ando frágil fisica e psicologicamente. Choro por tudo e por nada, ando muito carente de atenção, carente de me sentir importante para alguém. Infelizmente passo muito tempo sozinha, quase todo o tempo fora o do trabalho e isso neste momento é péssimo para mim, sair e estar mentalmente ocupada com outras coisas ajuda-me muito.

Hoje já comprei algumas prendas de Natal, a do meu pai e a da minha mãe. O resto vai ser comprado esta semana, estou de férias e não quero ficar todo o dia em casa.

Sei que não me entendes por mais que digas que sim. Não entendes nunca que só quero a tua presença. Não te quero privar de nada, nem o tenho feito. Mas a verdade é que a tua agenda tem pouco espaço em branco para preencheres com o meu nome e quando até o poderias escrever há-de haver sempre A, B C ou D que se sobrepõe.

Para mim chega, eu sei que já disse aqui isto mais vezes, mas não aguento muito mais. Não posso mendigar mais nada a quem quer que seja, não me sinto psicologicamente capaz disso. Tenho andado nervosa demais, a chorar demais, a tomar calmantes a mais. Não posso preocupar-me sem sentir retorno. Chega. Quem não quiser estar comigo na minha dor por vontade não vai estar por eu implorar porque eu não posso fazer mais isso comigo. Tenho que aprender a amar-me mais que aos outros. Tenho que aprender a pôr-me antes dos outros. Nunca consigo fazer isso. Aliás nunca conseguia porque eu vou ter que fazer isso por mim, mudar.

Não sei porque raio a vida nunca me sorri abertamente.

4 comentários:

Liliana disse...

Como eu te entendo! Os pais, embora nao se divorciem é como se vivessem separados...cada um no seu quarto, vidas separadas! Já não estou com eles, mas sofro tal e qual o meu irmão que está com eles!

Beijocas e muita força linda!

a vida há-de sorrir-te!

Margarida disse...

Por vezes sorri. Tenho a certeza que sim, mas é natural que não consigas ver esse sorriso, ainda!!

E tens razão, em primeiro pensar em ti. Deves fazer esse exercicio mental todos os dias.

Um dia consegues. TUDO!

Beijinho cheio de força!!

(E desculpa a intromissão!)

scarabee disse...

tem força...tu és capaz.
és corajosa.

um beijinho,

ana m.

Euzinha disse...

Olá minha linda,

Descobri o teu blog hoje e adorei, não consigo deixar de ficar indiferente a esta entrada. Estava a ler e parecia que lia a descrição dos meus sentimentos, a minha dor e semelhante a tua. O meu pai faleceu ha 6 anos e desde ai nunca mais nada foi a mesma coisa....
Mas a minha dor, é semelhante na solidão, no facto de na agenda do F. não haver muitos espaços brancos para ocupar com o meu nome...
Sei o que sentes e compreendo perfeitamente...

Beijinhos e muita, muita força....

Sophye