... quando chegamos à conclusão que TUDO tem que ser feito? Ao longo da vida tentei cultivar-me. Tentei ser uma pessoa melhor todos os dias. Tenho orgulho em ser tão verdadeira quanto sou, em ser tão honesta quanto sou, em ser boa amiga, boa filha, boa profissional. Sou o que sou porque me esforço. Sou o que sou porque luto por cada coisa que tenho.
Nada na minha vida caiu do céu. Desde pequena sempre juntei cada moedinha e cada nota que os meus avós e tios me davam. Desde muito nova, com esse dinheiro e com o que sobrava da semanada, comecei a comprar tudo o que queria. A minha aparelhagem quando tinha uns 14 anos, a tv para o quarto com uns 16, aos 18 comprei o meu primeiro PC pago cêntimo por cêntimo aos meus pais, a impressora logo a seguir. Comprei o meu primeiro telemóvel, e o segundo e o terceiro and so on... Paguei sempre as propinas em todos os anos. Primeiro com a bolsa, depois com a bolsa e com o dinheiro das bijuterias que fazia. Enquanto as minhas amigas iam ao cinema às Quintas à noite e saiam todos os fins-de-semana, eu ficava a trabalhar. Passei dias e dias e horas e horas e noites e noites de volta das contas, dos arames e dos alicates mas tinha tudo o que queria. Tirei a carta, paguei-a. Comprei o meu primeiro carro (já velhinho), paguei-o. Quando entrei na CGD fui fazer uma formação a Lisboa de 2 semanas, fui com o meu dinheiro. Na altura estragou-se o meu PC velhinho, precisava dele por causa das bijuterias, comprei outro. Emprestaram-me o dinheiro mas foi tudo pago ao milimetro. E por aí adiante, podia falar em muito mais coisas, não vale a pena.
Apoio, pouco tive. No dia em que soube a última nota, lembro-me como se fosse hoje, desci as escadas a chorar de alegria e disse "passei, acabei o curso". O que ouvi? O eco das minhas palavras. Tive abraços. Não tive Parabéns. Não tive "conseguiste".
Sempre vivi tudo muito sozinha, acompanhada de uma força que não tenho para outras coisas. Fui sendo feliz aqui e ali. Nunca me senti plena.
Sempre acreditei que um dia a vida mudaria. Um dia havia de ter alguém que não me recusasse ajuda. Um dia havia de ter alguém com que pudesse contar incondicionalmente e me permitisse descansar desta luta constante. Um dia achei que chegaria a hora de sorrir sem muitos interregnos. Não. Ainda não chegou o dia.
Trago a cabeça mergulhada em duvidas. Não sei se ceda ao desânimo e ao cansaço ou se vire a mesa. Peso na balança cada uma das opções mas pesam exactamente o mesmo.
Desafio-me. Vou ao meu limite. Não sei mais o que fazer.